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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

O Natal

Por: Filomena Frazão

Não digo do Natal – digo da nata 
do tempo que se coalha com o frio 
e nos fica branquíssima e exacta 
nas mãos que não sabem de que cio

nasceu esta semente; mas que invade 
esses tempos relíquidos e pardos 
e faz assim que o coração se agrade 
de terrenos de pedras e de cardos

por dezembros cobertos. Só então 
é que descobre dias de brancura 
esta nova pupila, outra visão,

e as cores da terra são feroz loucura 
moídas numa só, e feitas pão 
com que a vida resiste, e anda, e dura.

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