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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Pedir responsabilidades a quem?

Por:
M. Ramos



Escreve Nicolau Santos no jornal Expresso de 18.06.2017, a propósito da calamidade que mais uma vez nos atingiu, desta vez na região de Pedrógão Grande e concelhos limítrofes:

Como é óbvio, Constança Urbano de Sousa não tem culpa que um raio tenha caído em cima de uma árvore, nem da força dos ventos. Também não é a ela que cabe a responsabilidade por a estrada EN 236 não ter sido cortada imediatamente, por forma a evitar a armadilha que conduziu quase 50 (agora muitos mais) pessoas para a morte. Mas é dela toda a responsabilidade de ter preparado e prontos os meios terrestres e aéreos para atuar em casos como estes, por forma a limitar ao mínimo a perda de bens materiais e sobretudo humanos."
Nicolau Santos terá obviamente razão na sua afirmação mas, então e os outros? Quem autoriza a plantação de eucaliptos nas zonas que deveriam ser clareiras, leia-se corta - fogos, que evitariam incêndios destas dimensões? São muitos hectares que ficam ali desérticos, é certo, mas por outro lado minimizam-se estes efeitos devastadores. Aliás, esta é uma prática usada noutros países com alguma visão administrativa. Por cá vai prevalecendo a visão do lucro fácil e rápido, do "pode ser que não seja nada". Evitar despesas, e outros estratagemas. Dantes os proprietários das grandes herdades tinham ranchos, normalmente de homens, a cortar mato e a limpar os terrenos. Hoje, existem as máquinas que poderiam facilitar e até agilizar o processo mas, poucos o fazem. Porquê? Cabe ao governo responder a essa questão. Como é corrente dizer-se: "Quem tudo quer, tudo perde!" E, lamentavelmente... ao fim de 43 anos de cultura democrática, com décadas de governos eleitos democraticamente, não foram ainda encontrados os responsáveis destas políticas desastrosas. Ou os verdadeiros responsáveis continuam a ser, apenas e só, os fenómenos naturais?

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