segunda-feira, 10 de setembro de 2018

ARTIGO DE OPINIÃO: Comboios

Por:
Rodolfo Colhe

Comboios


De medicina, desporto e política todos acham saber um pouco, mas nos últimos tempos uma nova temática passou a ter um elevado número de especialistas, refiro-me a situação da ferrovia e particularmente da CP. O mais interessante nesta nova vaga de especialistas é que provavelmente grande parte deles provavelmente não são utilizadores regulares nem nunca foram da CP, pelo menos pelos comentários que leio.
Felizmente o Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, veio durante esta semana informar que o governo vai viabilizar a compra de 22 unidades circulantes, o que é ótimo mesmo que apenas cheguem 2023.
Há que renovar, melhorar, aumentar os transportes de pessoas e cargas através de comboio, mas também há que melhorar a gestão do que há, nomeadamente no que diz respeito à manutenção das composições. Mas muitos outros problemas estão associados ao transporte de pessoas por parte da CP, problemas esses que talvez tenham soluções mais rápidas do que a vinda das 22 unidades. Qual é a razão real de tantos atrasos? Será humanamente e materialmente possível cumprir os horários estipulados? Se não, não será melhor reorganizar os horários? Mas quem usa regularmente o comboio está certamente farto das paragens para outros comboios passarem, nomeadamente paragens em estações de baixa entrada e saída de passageiros. Não pode esta situação ser reduzida? Duvido que não o possa ser. As filas intermináveis para comprar bilhetes principalmente  nas grandes cidades, são um problema que facilmente se resolveria, bastando que a bilheteira comum não fosse usada para entrega de documentos para novos passes, bastava que dotassem as pessoas que trabalham nas bilheteiras de ferramentas para lidarem com cidadãos estrangeiros ou mesmo criando bilheteiras para os mesmos pois um indivíduo que só fala chinês tem todo o direito a tirar um bilhete no entanto o processo de compra desse bilhete e demais explicações demora muitas vezes 15 minutos, tempo mais que suficiente para o realizar o mesmo processo a 5 indivíduos que falem português. A “picagem” de bilhetes também é um processo que não decorre da melhor forma sendo por vezes difícil de perceber o porquê de tanta dificuldade.
A resolução dos problemas da CP é uma obrigação do estado, mas terá que partir da administração da empresa a minimização dos problemas nem que isso obrigue a mudanças profundas no funcionamento da empresa e não encareça um serviço que sendo de uso regular não é barato.
Se uns tem responsabilidades na resolução dos problemas outros têm a responsabilidade de através de uma forma credível dar a conhecer os problemas e apresentar propostas, essa responsabilidade está também nas autarquias locais. Todos os dias apanho ás 7h31 o comboio Inter-regional na Estação de Santarém, como bem mais de uma centena de pessoas, pessoas essas vindas de vários cidades, vilas e aldeias da zona, deve caber apenas a Câmara  Municipal de Santarém a defesa destes utentes (por falta de conhecimento não avalio a sua prestação nessa defesa)? Não me parece que assim deva ser, era importante que concertação de horários, períodos do dia onde se justifica o aumento do número de carruagens ou até de comboios, mas também o seu contrário caso existam comboios menos necessários ou que circulem com mais carruagens do que as necessárias, e as autarquias devem ter um papel nesta discussão.
Tenho a total certeza de que o atual governo e o futuro governo PS com ou sem maioria absoluta irá certamente tentar resolver os problemas da ferrovia em Portugal, mas todos os responsáveis políticos têm de fazer a sua parte.


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