Por: RODOLFO COLHE Presidente da Juventude Socialista de Alpiarça
Mais bom senso, por favor
Como forma de introduzir um tema,
começo com outro que à partida nada tem que ver, mas em que há um ponto em
comum. Eu, como milhares de portugueses, uso pelo menos 5 dias por semana
transportes públicos, e convém dizer que uso, não só, porque é mais barato, apesar
de já não ser tão barato assim (e poderia escrever apenas sobre a necessidade
de mudanças na CP), mas também porque prefiro em detrimento de ter que conduzir
todos os dias. E de segunda a sexta assisto a situações que são de todo
desagradáveis e nem me refiro à falta de noção das pessoas que falam ao
telefone altíssimo durante toda a viagem ou as conversas em grupo sobre a filha
da vizinha que incomodam todo o comboio, exceptuando, claro quem está na
conversa. Esta semana em particular e num total de 10 viagens de comboio
levantei-me do lugar onde estava para o ceder a grávidas e idosas, salvo erro por
5 vezes, e as pessoas que estavam sentadas ao meu lado nem olharam para as
pessoas em clara dificuldade, e a isto se chama falta de bom senso, falta de
noção da vida em sociedade, incumprimento da lei e por vezes falta de respeito.
É certo que ninguém gosta de ir em pé, inclusive eu, não gostei e o mais certo
é que todos os dias várias pessoas vão de pé o que levanta a dúvida da não
introdução de mais uma carruagem na composição. Mas para mim é a falta de bom
senso o mais importante nesta história, é sobre a falta de bom senso que quero
falar após esta chamada de atenção para uma realidade que não é muito falada.
A falta de bom senso não é caso
exclusivo dos utilizadores dos transportes públicos, e cada vez mais vemos essa
falta de bom senso em toda a parte, e na minha opinião nos últimos dias tenho
visto muita falta de bom senso. E eu próprio vou ter falta de bom senso político
e falar sobre um tema que poderia querer enterrar, mas não consigo. Os
incêndios em Portugal foram um desastre a uma escala desmedida e vieram provar
que os nossos mecanismos de defesa a estes cataclismos são deficientes e
necessitam de ser revistos. Mas não consigo deixar de ficar incomodado com o
facto de que a primeira e principal preocupação durante bastante tempo fosse
fazer cair a ministra. Desde já, posso dizer que não a conheço, nunca falei com
ela, nem posso sequer dizer que é uma das pessoas pela qual tento equilibrar os
meus raciocínios, mas o pedido de “sangue” foi, no mínimo, um absurdo quando
ainda deflagravam tantos fogos em Portugal. Sempre achei que a ministra iria
cair, tal como caiu, até porque mesmo não a conhecendo acho que humanamente não
teria condições para continuar, mas gabo-lhe a capacidade para sair apenas após
os incêndios estarem dados por controlados. E a questão aqui é bom senso, se
após os incêndios de Pedrogão a Ministra se tem demitido ou tem sido demitida,
quem fosse tomar o seu lugar no Ministério teria tempo de realizar a
reestruturação que se impõe? Não iria a cabeça desse Ministro cair também, sem
que tivesse sequer tido a oportunidade de tentar? Acho que a resposta é obvia,
até porque não será nem num ano, nem apenas em uma Legislatura que os problemas
serão todos resolvidos sendo que, também, tenho plena
certeza que o atual governo pode não ter avançado o suficiente na resolução dos
problemas, mas não os causou como o anterior.
Espero sentado para ver os
críticos desvalorizarem as medidas que, com certeza, serão tomadas no combate
aos incêndios. Espero também não ver mais matas de privados ou quintais por
zelar, espero não ouvir críticas ao défice se este for mais alto do que o
previsto por via de investimento na área da floresta e do combate aos
incêndios. Espero não ouvir comentadores e políticos e políticas de trazer por
casa, acusarem o governo sobre alterações que prejudiquem as empresas das
madeiras e derivados.
Bom senso digo eu, bom senso.
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